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sábado, 23 de julho de 2011

Cinzas

Fumaças rodiavam a casa escura e vazia. Tão vazia que éco fazia a qualquer ruído. Ele cansado, sentado e acomodado em sua cadeira velha de madeira, com o cigarro de palha chegando ao final. Cinzas caíram sobre a mesa, o vento frio que rasgara as cortinas, atravessaram-nas oportunistas, e as cinzas esparramaram-se pelo chão. O olhar cego e cançado de um jovem rapaz que aparentava dez vezes mais a sua idade, estava perdido completamente naquela imensidão. Nada mais o pobre rapaz tinha, nada que pudesse ser de sua propriedade. Além da solidão.

Com a voz rouca mal podia soluçar. Os olhos em plena vermelhidão começaram a transbordar. Lágrimas salgadas caírão como chuva sobre seu rosto enrugado, e movimento nenhum ele fazia. Parecia saborear cada último instante daquela agônia.
Era ela, que havia o deixado para sempre. Não por vontade própria, mas por órdem do destino.
Com as palpebras incontroláveis ele esvaziava seu coração, procurava razão, respostas para toda aquela dor. Mas solução nenhuma ele conseguiu encontrar. Ficou apenas parado no desconhecido da sua sala de estar. Sentado, e acompanhado das cinzas que ele deixara escapar com o vento.

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